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14/09/2005 18:20:28
Filhos tristes, pais frustrados
A ligação entre pais e filhos tem um quê de inexplicável. Principalmente no caso da mãe, que carrega sua cria na barriga durante nove meses, dividindo com ela sua alimentação, sua saúde e mesmo seus sentimentos. Dizem que tudo que a mulher grávida sente, o bebê percebe e sente também. E depois que nasce, parece que essa forte relação permanece sob a forma de pressentimento materno. Mas não sejamos injustos com os paizões de plantão: eles também - e às vezes até mais – são supersensíveis ao que se passa com os filhos. Se alguma coisa de ruim acontece com os filhos, se estão tristes ou somente ligeiramente cabisbaixos, mesmo que tentem esconder, não demora para que os pais percebam. E aí, uma vez capitada a energia negativa, pai e mãe passam a sofrer junto. Pelo menos é assim com a maioria deles. Filho na triste é sinônimo de coração apertado. O que difere entre uma família e outra é a forma dos pais agirem diante dessa situação. Temos que dar um jeito de descobrir qual a melhor maneira de lidar com os filhos quando eles estão pra baixo, dando o suporte necessário sem prejudicá-los. Cada exemplar de pai e mãe faz um estilo diferente quando o assunto é confortar seus "pequenos" – que já podem estar pra lá de grandinhos. Uns se contentam em oferecer um colo, ouvem com atenção o que o filho(a) tem a falar e, no máximo, dão conselhos. Outros se sentem capazes de achar a solução para os problemas da criança ou jovem e, em alguns casos, até vão tirar satisfações com os “culpados” pela dor de sua cria. Há ainda o tipo de pais que ficam tão preocupados ao ver seu filho(a) sofrendo, que chegam a se desesperar. Não precisa ser gênio para concluir que o colo dos pais que se desesperam não são os melhores para encostar a cabeça e chorar. Ao terem essa postura, os pais não conseguem dar o apoio necessário. Seria o mesmo que a mãe chorar junto ao bebê ao invés de pegá-lo no colo e acalmá-lo. É muito importante ouvir o que o filho tem a dizer e estar aberto a isso, lembrando que, muitas vezes, tudo o que ele precisa é de um colo confortador e não de soluções para os seus problemas. É muito comum, aliás, o pai ou a mãe se achar capaz de dar fim à tristeza de seus descendentes. Bolam, então, planos mirabolantes – sem muito sucesso, claro... Todo mundo, seja criança ou adulto, necessita de ombros amigos para chorar suas mágoas. E é normal que os pais, supostamente responsáveis por proteger suas crias, fiquem chateados se estas, pelo motivo que seja, entram numa deprê . Só que é preciso que eles saibam distinguir os sentimentos deles dos do filho. Por mais que amemos muito alguém, esse alguém é outro. Mesmo que tenha nascido de nós, ele tem sua própria vida e nós não somos responsáveis pela sua felicidade, lembrando que é muito comum os pais se culparem pela infelicidade daquele que colocaram no mundo. O pai ou mãe que vai atrás da pessoa que prejudicou seu filho, para tirar satisfações ou para achar a solução, está misturando a sua imagem com a do filho, tomando os sentimentos dele para si e atuando em seu lugar. Sente a rejeição que o filho sofreu, como sendo contra ele, como se lhe dissessem que o que ele produziu não é bom. Essa confusão de papéis não é saudável para a família, muito menos para o jovem ou mesmo para a criança. Já deu para perceber que para lidar da melhor maneira possível com o momento de tristeza dos filhos é preciso ter equilíbrio e paciência, né? Alguns podem confundir essa postura com desamor. Mas, pelo contrário, entender que aquele momento de dor precisa ser vivido pelo outro significa amar demais. O negócio é se inteirar do que está se passando e incentivá-los a lutar.De resto, não há o que o tempo não cure. Acredito que o pior sofrimento é sofrer sozinho. Na medida que alguém se importa, é solidário e te dá colo, a dor fica menos insuportável. Os filhos aprendem desde pequenos que a vida é dura. Realmente, uma das coisas que devemos ensinar, desde cedo, às nossas crianças é que a vida é feita de altos e baixos. Aceitar isso é fundamental. A criança ou jovem que nega essa realidade tem uma dificuldade imensa de suportar frustrações. Muitos jovens entram em depressão profunda frente a uma decepção amorosa ou ao fracasso escolar porque não desenvolveram a tolerância à frustração, que é algo básico para o ser humano. E o motivo de isso acontecer, muitas vezes, se deve ao fato de os pais fazerem sempre as vontades dos filhos, que, consequentemente, não conseguem ouvir ‘não’ para nada”. Tem momentos em que não se pode fazer papel de amigo. Para certas situações, o filho terá mesmo que contar com seus companheiros de faixa etária.Os papéis precisam ser limitados. Não tem nada de cruel nisso. Deve-se transmitir amor e segurança, mas sem esquecer da autoridade e do respeito. Sabendo colocar limites, a relação dará fruto a pessoas melhores e mais felizes.
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